quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Marinheira de primeira viagem - como é fazer um cruzeiro para Nova Caledônia


Eu digo que sou mochileira de coração. Adoro organizar minhas viagens, onde ir, o que comer, atividades culturais e etc. Porém, um dia meu marido disse: "Sempre quis fazer um cruzeiro". E eu logo pensei, que cruzeiro é para velho, ficar preso em um navio por vários dias, ou parado em algum porto por somente algumas horas. Definitivamente esse não era um passeio para mim, ia morrer de tédio. 

Mas em um relacionamento as partes tem de ceder um pouco, e meu aniversário estava chegando, não havia programado nada, então pensei, por que não um cruzeiro? Australianos adoram um cruzeiro, e há várias opções saindo de Sydney, Melbourne e Brisbane. Desse modo pesquisei, pesquisei, pesquisei, e escolhi um passeio de nove dias para a Nova Caledônia com o Carnival Spirit saindo de Sydney.

A primeira impressão é a opulência do navio. O Carnival Spirit tem capacidade para 2680 hóspedes em 1062 quartos e 961 staff. Embora tenha capacidade para muitas pessoas de forma alguma sentimos o navio lotado, devido ao tamanho do navio, opções de entreterimento e alimentação. E eu pensei que só ia ter gente idosa, né? Não poderia estar mais enganada. Havia de fato idosos, mas também família com crianças pequenas ou grandes, jovens casais, jovens solteiros, grupos celebrando aniversários, grupos LGBT e etc.

Já na saída do navio de Sydney você fica impressionado. A vista noturna da Harbour Bridge e do Opera House é lindíssimo visto dos deck nove e dez. E aqui você já pode começar seu divertimento, pois nesses decks estão as piscinas e spas, a academia, a quadra de basquete, as mesas de pingue-pongue, os toboáguas, o campo de mini golf, e meu favorito - Serenity, uma região do navio com bar, piscina e cadeiras somente para pessoas acima de 18 anos. 

Além de todas as atividades mencionadas há sempre algum evento acontecendo. Não faltam competições, festas, teatro, trivia, bingo, dança, cassino e etc para você se ocupar. De fato nem tive tempo de terminar de ler o único livro que levei.

O serviço é cinco estrelas. A comida deliciosa, inclusive com pizza, sorvete e chá e café 24 horas por dia e melhor de graça. As pessoas que trabalham no serviço de quarto, são ótimas. Nosso quarto era servido por Wayan, um indonésio muito simpático. Toda vez que saiamos do quarto, quando voltávamos estava tudo arrumado e um animal feito de toalha dobrado na cama.
  
O quarto em si não era grande, porém espaçoso o suficiente e muito prático. Tínhamos um armário de três portas, televisão, frigobar, penteadeira, cofre e também um banheiro. No nosso quarto não havia janela, o que pode ser difícil para alguns pois você nunca sabe se é dia ou noite.

Nosso passeio incluía paradas em Isle of Pines, Lifou, Nouema - capital da Nova Caledônia, e Maré. E com exceção de Noumea que parou de fato em um porto, as outras paradas a transferência do navio até a ilha era feita em barcos menores. Os passageiros eram organizados por grupos, e você precisava pegar um número de desembarque que os passageiros coletavam no mesmo dia da parada. As transferências ocorriam sem maiores problemas.

Com relação aos custos os valores das bebidas no navio não são muito diferentes de um pub na Austrália. Uma cerveja custa em torno de AU$7,50 à AU$9,50, bebidas como Jack Daniels com Coca-cola custam em torno de A$9,50, batidas também estavam nessa faixa. Um refrigerante custava AU$2,75 e uma garrafa de água de 1.5 litros custa AU$4,50, achei os preços bem razoáveis. Já uma batata Pringles custa AU$6 na lojinha do navio, o que é bem caro.

A Nova Caledônia não é um lugar baratinho, e pelo fato de eles aceitarem dólar australiano como uma moeda paralela encarece um pouco as coisas para os turistas. Por exemplo os passeio nas ilhas não sai por menos de AU$19. Uma passagem área de Sydney para Noumea, custa normalmente entre AU$700-800, já um cruzeiro custa por pessoa entre AU$800-1500 dependendo de quando você fizer sua reserva, se for escolher cabine interna, externa, com janela ou sacada. Nós pegamos um bom preço AU$899 por pessoa, incluindo alimentação. Só um pouquinho mais caro que o preço do voô.

Com todo o luxo, organização e serviço já no segundo dia eu havia concluído que poderia tirar 10 dias de férias todos os anos desse jeito. Para quem me conhece eu não sou uma pessoa muito calma ou relaxada. É ótimo ter a oportunidade de organizar seus passeios, e onde e como ir, porém é uma maravilha não ter de se preocupar com nada, e ter tudo organizado para você. Quem sabe ano que vem não vamos para Fiji, Vanuatu ou até Nova Zelândia de navio. 








20/08 - Sydney
21/08 - Alto Mar
22/08 - Alto Mar
23/08 - Isle of Pines
24/08 - Lifou Island
25/08 - Noumea
26/08 - Mare
27/08 - Alto Mar
28/08 - Alto Mar
29/08 - Sydney

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Sujeira nos aviões

Hoje li uma notícia no News.com.au sobre a sujeira nos aviões que me deixou de cabelo em pés.

Bactérias que causam vômito e infecções foram encontradas em várias superfícies dentro dos aviões.

Pesquisadores da Auburn University descobriram que algumas bactérias pode sobreviver em superfícies como descanso de braço, mesa de plástico, veneziana da janela, botão de descarga do banheiro e até no tecido do bolso de assento.

Uma das bactérias, a E Coli, sobreviveu por até 96 horas ou 4 dias em um descanso de braço. Já o MRSA, uma espécie de super bactéria sobrevive até 168 horas no tecido do bolso de assento.

Desse modo não esqueça de carregar um álcool gel para as mãos na bolsa não só nas suas viagens mas também no dia a dia. A última coisa que você quer é pegar alguma infecção no começo da sua viagem.

A notícia original é em inglês e para acessá-la clique aqui.

domingo, 13 de abril de 2014

Austrália: Esportes

Hoje queria falar sobre um tópico que não é de viagem, mas muito importante na cultura australiana. Aqui se prática uma variedade de esportes, e os australianos são bem fanáticos pelos seus times.

A Austrália tem bastante tradição em natação. Talvez um dos mais conhecidos recentemente seja Ian Thorpe, porém não podemos esquecer de Dawn Fraser uma das atletas mais famosas e importante na histórica olímpica do país.

Como moro em Melbourne há uma variedade de esportes aqui, incluindo eventos internacionais como o Aberto da Austrália de Tênis, o  Grand Prix de Fórmula 1, e ainda aqui no Estado de Victoria está o Moto GP de Phillip Island e o campeonato de surf da praia de Bells em Torquay - Rip Curl Pro Surf, o campeonato de surfe mais antigo do mundo que acontece desde janeiro de 1961.

Porém há outros esportes populares aqui. Para quem mora no Estado de Victoria o esporte mais popular é o AFL ou Liga Australiana de Futebol. Atualmente a liga tem 18 times de todo o país, porém 10 são daqui de Melbourne. Eu sempre falo que é uma mistura de futebol com rugby. A bola é oval como no rugby, porém para se pontuar precisa fazer gol, e gol só chutando. São 4 traves, formando 3 gols, nos gols de fora vale um ponto, no de dentro são 3 pontos, e se acertar a trave é um ponto também.

Já o esporte mais popular nos estados de Nova Gales do Sul e Queensland é o rugby. Há duas versões o Rugby League e o Rugby Union, no primeiro cada time conta com 13 jogadores, já o segundo os times são formados por 15 jogadores cada. Aqui em casa somos sócio-torcedor do time local chamado Melbourne Storm, que joga na Rugby League. O time é relativamente novo, criado em 1997, porém bastante vitorioso. O Rugby League tem uma competição além da tradicional com 16 times, temos o State of Origin, basicamente 2 times jogam entre si algumas vezes durante o ano, o time formado por jogadores originários de Queensland contra os de Nova Gales do Sul. Como rugby league é popular em outros países há jogadores de Fiji, Samoa, Inglaterra, Irlanda, entre outros.

Para nós Brasileiros, infelizmente o nosso tradicional futebol não é o forte na terra do canguru, mas acreditem, está melhorando. Recentemente o Sydney F.C. contratou o jogador italiano Alessandro Del Piero, como uma forma de atrair mais atenção para o esporte. Melbourne tem dois times, o Melbourne Victory e o Melbourne City (antigo Melbourne Heart), o segundo é um time bem recente e por muito tempo foi o piorzinho. Em 2012 fui assistir a um jogo deles, e quase desisti no intervalo do primeiro tempo, porém esse ano (2014), o Melbourne Heart foi comprado pelo Manchester City da Inglaterra, em uma parceria com o Melbourne Storm, time de Rugby League pelo qual torço. O plano é trazer jovens jogadores do City para adquirir mais experiência aqui. O time começou mal na temporada de 2013/2014 mas já melhorou bastante.

Todos esses esportes: futebol, afl e rugby (league e union) possuem uma regra relativa a salário. Por exemplo os times de cada liga possuem um teto salarial para pagar aos jogadores ao ano, o que dificulta para os times manter jogadores. Em 2014 o total por time por ano na liga de Rugby League é $6.4 milhões, já na AFL é $9.630.000 por time. Já na A-League (liga de futebol) é $2.5 milhões, cada time ainda pode contratar um "marquee player" e um "guest player" onde os salários não farão parte desses $2.5 milhões. Por exemplo, o Sydney F.C. contratou o Alessandro Del Piero com essa exclusão para ele poder ter um salário diferenciado. O salário mínimo no futebol é $50 mil por jogador. Desse modo é possível ver que nenhum "Neymar da vida" vai vir para a Austrália para jogar futebol.

O cricket é outro esporte popular na Austrália, porém não é um esporte que sigo, acho meio tedioso assistir jogos de podem durar 5 dias. E em caso de chuva é suspenso.O país vai sediar a próxima Copa do Mundo de Cricket que acontece em 2014.

Tennis é muito popular, e esporte que atualmente pratico. Para vocês terem uma idéia, em um raio de 10 km da minha casa, você encontrara mais de 200 quadras e vários clubes e técnicos. A grande maioria é de um saibro adaptado para o clima aqui de Melbourne.
Há ainda a liga de Basquete, que é bem popular, porém é muito inferior a NBA - liga americana. Já a liga de hockey no gelo é bem amadora e seus atletas possuem outras profissões para sobreviver.

Para quem gosta de golfe há muitos campos locais, por exemplo só na região de leste Melbourne onde moro, há listado 41 campos de golfe! Outro esporte popular principalmente entre meninas é o netball, uma versão de basquete com 7 jogadoras de cada lado, a cesta é similar ao do basquete porém sem uma tabela.

Além dos esportes mais praticados há ainda ligas locais de baseball, futebol americano (aqui chamado de gridiron), boliche e etc.

Por último gostaria de mencionar que recentemente vários jogadores tops do futebol, afl, rugby e cricket se juntaram em uma campanha contra a homofobia, em prol da inclusão de atletas gays. Não vou entrar em detalhes, mas acho muito bacana isso. Para quem se interessar aqui está o vídeo:

domingo, 2 de março de 2014

Austrália: Sydney


Visitei Sydney pela segunda vez recentemente, e me dei conta que não havia escrito um post sobre a cidade que aliás é uma graça, e vai muito além do Opera House e da Sydney Harbour.

Se você for de avião vai chegar em um dos terminais do Aeroporto Kingsford-Smith, que não é muito longe da cidade. Você terá algumas opções para chegar no centro da cidade incluindo táxi - em torno de AU$40 (depedendo do horário e trânsito), AU$16,80 (terminal doméstico) de trem que leva entre 10-15 minutos, ônibus numero 400 que faz o percurso entre Bondi Junction para Burwood que vai custar em torno de AU$4, e você ainda pode combinar ônibus até a estação de trem de Rockdale e pegar o trem lá, custará tudo em torno de AU$7, mas vai demorar um pouco e por última opção van particulares organizadas pelo seu hotel. Eu me hospedei no Travelodge Sydney (em Wentworth Avenue) e havia uma opção de van por AU$14, o que saí mais barato que o trem.

Demos sorte parcialmente. Quando chegamos em Sydney o trem não estava funcionando, então pegamos um ônibus expresso do Aeroporto até a estação Central gratuitamente. Porém como vocês podem imaginar sem trem os ônibus estavam superrrrrrrrr cheios! Mas de graça até...

Fomos para Sydney somente para passar 3 dias/2 noites e ir ao teatro. Se você não conhece a cidade, recomendo ficar mais tempo.

Logo que chegamos ao centro seguimos para nosso hotel que era perto da estação central. Eu reservei tudo online, e pagamos AU$157 por noite com desconto - geralmente custa em torno de AU$300 e sem café da manhã incluso que custa extra AU$18 por pessoa. Definitivamente Sydney não é uma cidade baratinha, há opções de hostels/albergues mais baratos, e hotéis mais afastados do centro mas mesmo assim ainda é um pouco caro especialmente para os mochileiros. Enfim, na verdade não gostamos muito do hotel, embora o quarto fosse amplo e limpo, a cama era dura igual uma pedra!!!

Do hotel andamos 30 minutos até a região do Circular Quay onde está o pier, e lá pegamos o barco para o Zoológico Taronga. Não vou me aprofundar muito sobre o zoológico, pois vou contar tudo mais explicado aqui. Mas enfim o Taronga é super bacana, você pega um bondinho até o topo passando sob os elefantes e próximo de outros animais como o Orangotango, até a entrada. O ingresso custa AU$ 44 por pessoa. A vista é super bacana e inclui a Harbour Bridge. Eu e meu marido adoramos zoológicos, e ficamos super contente de ver um Dragão de Komodo de pertinho. O trajeto do barco até o zoológico custa AU$12 ida e volta.


 Para quem gosta de animais o Taronga Western Plains Zoo está divulgando uma campanha em prol dos rinocerontes, pois a população do animal tem diminuído drasticamente devido a caça e perda de habita, e por toda a cidade é possível encontrar 120 esculturas de rinocerontes bem coloridos e pintados de forma diferente, o que dá um toque todo diferente para a cidade.


No pier há barcos para vários outros lugares incluindo a região de Manly, Darling Harbour, Parramatta River, Watsons Bay e Balmain/Woolwhich e há também barcos mais rápidos e outros tours saindo por ali também. Mesmo que você não queira ir a nenhum deles ainda assim recomendo pegar algum barco por ali, já que é possível ter uma vista super bacana da cidade e é um passeio relativamente barato dependendo do barco que você pegar (obviamente). Os barcos fazem parte da história da cidade e fazem essas travessias desde 1789, e no caminho você ainda passa pelo Forte Denison, que foi não só usado para defesa da região pelos primeiros colonizadores mas também como prisão.


Na volta passeamos ali na região do Circular Quay, onde sempre há vários artistas de rua - músicos, mágicos, malabaristas e etc. Ainda ali você pode caminhar até o Museum of Contemporary Art Australia (Museu de Arte Contemporanea Austrália) que no momento tem uma exposição da Yoko Ono chamada War is Over. O museu está aberto das 10 da manhã às 5 da tarde, todos os dias exceto no Natal e tem entrada gratuita.

Para quem gosta de prédios históricos e arquitetura ainda na região do Circular Quay está o Customs House, um lugar com uma biblioteca onde você terá acesso a todos os jornais do mundo, restaurantes e exposições. A outra atração é o famoso Opera House. Há sempre algum evento por aqui, é possível também fazer um tour pelo prédio que custa cerca de AU$35, ou até comer no restaurante local. Para mais informações visite o website: www.sydneyoperahouse.com/

Se você for até o Royal Botanic Garden (Jardim Botânico Real), vai ter uma belíssima vista da Harbour Bridge e Opera House, e ainda poderá ver o Government House. Continuando na Macquire Street no sentindo para o Hyde Park, você vai passar pelo Sydney Hospital e poderá tocar o famoso porquinho de bronze que fica na frente do hospital. Ali perto está a Art Gallery of New South Wales. A entrada é gratuita para a coleção permanente e maioria das exposições, e vale a pena a visita. E dali é um pulo até o Hyde Park.


Fizemos esse percurso do nosso hotel até o Circular Quay pela Elizabeth Street/Macquire Street algumas vezes, o que deixava meu marido meio de saco cheio, já que eu gosto de andar meio sem rumo enquanto observo o lugar. Porém no Hyde Park estava tendo uma feira de vinhos o que é um bom motivo para aumentar o passeio e ver as pessoas locais, o Anzac Monument e a impressionante Catedral de Saint Mary.

Uma das noites fomos ao teatro assistir ao musical do Rei Leão. Embora a história seja conhecida da grande maioria, em nenhum momento perde a magia. Eu não pude acreditar quão artística é a produção. As fantasias são lindas e os atores excelentes, o que é uma combinação perfeita para encantar crianças e adultos. Para quem gosta sempre há boas opções de teatro na cidade, incluindo famosas produções internacionais.

Outra área de entreterimento da cidade é o Darling Harbour, sempre com algum grande evento ou festival cultural. Além dos restaurantes e cassinos, aqui ainda está o Sea Life Sydney Aquarium, o Chinese Garden of Friendship, National Maritime Museum, o Madame Tussauds, e o IMAX - cinema 3d. De noite o lugar tem todo um colorido diferente, e fogos de artifício todos sábados.



Para quem gosta de compras há várias opções incluindo um grande shopping centre Westfield, onde também está Sydney Tower uma torra de 309 metros, de onde você pode ter uma visão 360 graus da cidade. Recomendo uma visita ao Queen Victoria Building,uma galeria com várias butiques, mas talvez o que mais impressione seja os dois grandes relógios, as vidraças e a arquitetura romântica do lugar.


 Ainda pelo centro, na estação de Town Hall encontrei uma coisa deliciosa, um restaurante chamado Cafecito, que serve comida brasileira, incluindo pastel, coxinha, pão de queijo e refeições com feijoada e churrasquinho. Como eu que estou longe do Brasil há bastante tempo me esbaldei. Mas cometi um grande erro: comer feijoada antes de pegar o avião. Pança cheia!!

Em Sydney há muita praia bacana incluindo a famosa praia de Bondi, popular entre os surfistas, e a praia de Manly. Particularmente eu gosto mais de Manly, pois tem um ambiente um pouco mais família. Além de ser uma região que é uma gracinha, e as lojinhas mais perto da praia.

Se você tiver mais tempo na cidade, opções de passeio por perto é uma visita as Blue Mountains e Wollongong.