segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Noruega: Bergen


Em 2007 resolvi celebrar meu aniversário na Noruega. Esse é um país que sempre pareceu fora das possibilidades de um mochileiro comum. Porém suas lindas paisagens sempre me inspiraram

Como todo resto da região da Escandinávia, a Noruega não é um lugar barato. Eu estava indo fora de temporada (fim de agosto), já não achava albergues disponíveis, e como eu realmente não tinha grana para os exorbitantes preços noruegueses, desse modo resolvi usar o tão famoso couchsurfing e hospitality club. 

Couch surfing e Hospitality Club são sistemas onde viajantes acham acomodação gratuita na casa de pessoas. A acomodação pode ser de todo tipo sofá, colchão, chão, quintal... Entrei em contato com algumas pessoas e organizei um roteiro de 5 dias pela região sul da Noruega, a entrada para os Fjords (ou Fiordes).  

Fjords ou Fiordes são aquelas formações geográficas que tiveram origem com o degelo, ou derretimento da neve nos topos das montanhas. Os fjords mais fundos chegam a mais de 2 km. O roteiro incluiu um volta pela região de Faejerland passando por Bergen, Leikanger, Balestrand, Flam, Myrdal e Voss.

Peguei um voo para da Ryanair para Haugesund, já aqui a vista era fabulosa, e de lá um ônibus para Bergen, a maior cidade na entrada dos Fjords. O ônibus vai passando por lugares lindos, e eu suspirava a cada 30 segundos. Chegando a Bergen, eu não tinha noção nenhuma de como chegar na casa da família que me hospedaria, e estava procurando um ônibus para o centro da cidade, até que o motorista de um ônibus perguntou se eu estava perdida, eu disse que sim, e ele disse que o ônibus estava indo para a cidade, passava pelos pontos turísticos, perguntei quanto custava e ele disse que era um circular gratuito. 

Bergen é uma pequena cidade, onde chove 90% do ano, e adivinhe? No dia seguinte era meu aniversário e estava um super ceú azul e sol. Aproveite bastante, andei bastante, subi o penhasco, fiz trilha nas montanhas. No dia seguinte pegaria uma balsa para Leikanger, parando em Balestrand... Mas isso eu conto depois.










Rússia: São Petersburgo



São Petersburgo é uma cidade bem diferente de Moscou, para começar você acha informações e sinalizações em inglês. O clima aqui também é bastante diferente, enquanto em Moscou neve e céu cinzento era a norma, aqui as temperaturas são mais baixas, porém céu azul e sol. Já dá um ânimo diferente.

Assim como Moscou grande parte dos pontos interessantes aos turistas está localizado no centro e é possivel andar entre um ponto e outro. Fiquei 4 dias na cidade, porém 3 é mais que o suficiente.

Passeios imperdíveis de São Petersburgo são: o Museu Hermitage, o fortaleza de Peter e Paul, o Palácio de Verão, a Catedral de São Isaac, Catedral da Nossa Senhora de Kazan, Palácio de Catherina, o Palácio de Peterhof (esse um passeio para o verão, para você poder vislumbrar as fontes em funcionamento), o Teatro Mariinsky, Monastério Alexander Nevsky e Catedral de Nosso Salvador do Sangue Derramado.
 O Museu Hermitage é muito grande, e assim como outros grandes museus do mundo, em um dia você não vai ver todas as obras e objetos que por lá estão, já que são quase 3 milhões, e inclui obras de grandes artistas como Leonardo da Vinci, Michelangelo, Rembrandt, Van Gogh e outros. O Hermitage é um passeio agradavel, e além da obras de artes há grandes e luxiosos salões que impressionam bastante e o belissimo Palácio de Inverno.


A fortaleza de Peter e Paul, foi construido em 1703, possui uma Catedral construida em 1972 na ilha de Zaichy Ostrov, e que é o local de descanso de quase todos os tzares russos incluindo Nicholas II, seus familiares e seus servantes. Na fortaleza também há outros prédios históricos incluindo um museu, uma prisão e outros prédios. Quando fui ventava muito, mas de lá tem uma vista belissima do Museu do Hemirtage. 


Uma outra Catedral famosa é a Catedral de Nosso Salvador do Sangue Derramado. Eu achei bastante curioso que todas as catedrais em Moscou e São Petersburgo possuem um nome longo e dramático. Foi onde encontra-se a igreja hoje que o Imperador Alexandre II foi assassinado. Há varios objetos de artes, pintura e mosáico aqui, e eu achei bem mais bonita que a Catedral de São Basilio em Moscou.

   
A Catedral de São Isaac é a terceira maior catedral da Europa e também impressiona com suas colunas e dome dourado. A Catedral de Kazan também possui uma série de colunas e um belo jardim.  Se você tiver tempo sobrando uma visita ao Palácio de Catherine fora da cidade, também é uma boa pedida.
 
Em termos de segurança, eu não recomendaria ficar perambulando pela cidade quando escurecer, e tomar cuidado nos cruzamentos e metro em relação aos batedores de carteira. Não cheguei a ser roubada, mas quase aconteceu. Eu estava em um cruzamento em grande e tumultuado quando levei um soco nas costas. Fiquei assustada, sem entender o que tinha acontecido, quando a pessoa da minha frente falou algo, e a pessoa atrás de mim se moveu para o meu lado. Quando fui verificar a pessoa atrás de mim havia tentando abrir minha mochila, e a pessoa da frente deu um soco para ela sair. Ou seja, todo cuidado. 

Achei  São Petersburgo tão encantador, que com certeza voltaria para outro passeio, porém na primavera!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Trem Moscou - São Petersburgo



Para chegar a São Petersburgo eu peguei um trem noturno saindo de Moscou. Comprei o ticket na internet, pois como tinha os dias contados precisava estar naquele trem.





Aprendi a ler duas coisas no meu ticket: minha cama e qual era o meu vagão. O resto estava em cirilico e eu não tinha idéia do que dizia. Cada vagão tem seu supervisor, o que é interessante. Enfim quando fui subir no vagão a mocinha me pediu documento, tentou me dizer algo, eu disse que não entendia e ela fez que não falava inglês. Tudo bem eu sabia onde estava minha cama. 

Subi no trem e fui em direção a minha cama, e para a minha surpresa já havia uma pessoa dormindo nela. Fui então atrás da supervisora, e para explicar para ela que minha cama estava ocupada? Depois de muito gesticular e com muito esforço consegui convece-la a me seguir. Ela logo entendeu e me mostrou uma cama vaga em outra cabine, até veio e me trouxe um lençol limpo. Muito atenciosa.

Os trens russos não são novos, mas são confortaveis, o vagão que eu estava só tinha camas, no estilo beliche, não há portas entre as cabines e cada cabine tem 3 beliches. Li que era melhor comprar a cama de cima, o que evitaria pessoas sentarem na minha cama enquanto eu dormia.  A cabine tem duas beliches paralelas e uma beliche no corredor. A beliche inferior do corredor pode virar uma mesa com dois acentos também.

Subir na cama de cima não foi tarefa super fácil com o mochilão. A cama vem com uma espécie de colchonete que você usa para forrar a cama, travesseiro e um cobertor. No fim o vagão estava bem quente, mas dormi bem tranquila e acordei só quase em São Petersburgo. 

Esse foi o website que usei para comprar o ticket: www.realrussia.co.uk. Custa um pouco mais caro do que comprar o ticket direto na estação, mas é muito pouco comparado a conveniência e a dificuldade de me expressar na Rússia.


 

Rússia: Moscou



O ônibus vindo de Riga parou em uma estação bem longinha do centro da cidade, porém era perto de uma estação de Metro, porém eu não achava a entrada da estação de jeito nenhum. A cidades são cheias de túneis, e como eu estava em uma região com de avenidas amplas, as travessias eram feitas também por túneis, agora pergunta se eu achava o tunel que dava acesso ao Metro? Andei e andei e andei e nada, até que resolvi perguntar para uma pessoa. Como eu tinha lido bastante que poucas pessoas tinham fluência em inglês eu estava bastante receosa, quando vi um Hollyday Inn, resolvi perguntar para um dos funcionários, que rapidamente me explicou onde era a entrada. Assim que cheguei na estação perguntei educamente se a pessoa da bilheteria falava inglês, ela disse que não mas disse logo em seguida “um ticket?” em um sonoro inglês, eu ri e falei, “ a então a senhora fala inglês” com um largo sorriso, e ela respondeu “a little”. Essa seria então a resposta mais comum que eu escutaria. Os Metros são marcados com a letra M!

o mêtro
Os metros Russos são fantÁsticos, parece que você entrou em um museu ou salão nobre, com seus grandes lustres e mosaicos na parede. De cara fiquei impressionada. O trem em si é confortavel e normal. O segundo problema é que quase tudo em Moscou está em cirilico, modo de escrita local, e para nós, acostumados ao alfabeto em latin, isso dificulta muito. O nome da estação está escrito na parede em dois locais, e se você vai ficar comparando as palavrinhas, isso causa certa dificuldade estando dentro do trem, então eu ficava contando quantas estações seria de um ponto ao outro. Isso eventualmente me causou um problema, visto que eu peguei um metro para uma estação mas toda vez que contava terminava no ponto errado, já que uma estação no meio do caminho não estava funcionando e o metro não parava nela, e eu obviamente não entendia o problema . Mas enfim demorei um pouquinho para me familializar com tudo, me perdi muitas vezes. 


Moscou é uma cidade bonita, com um bom sistema de transporte, e muita história. A cidade tem  uma das maiores concentrações de bilionários do mundo. Descobri que os russos estão acostumados com as mesmas lojas e marcas que o resto da Europa: Zara, Armani e etc. Os preços não eram muito diferentes. 
Catedral de São Basilio

O que era muito caro em Moscou é alimentação, e acabei ficando um tanto acostumada a comer nos fast-foods ocidentais, que não  são caros. McDonalds por 4 euros. Como no centro da cidade não há grandes supermercados, só pequenas lojas de conveninência onde uma maçã custava 5 euros, os mochileiros acabam ficando sem muita opção. 
Fiquei em um albergue perto do centro, pequena distância caminhando dos principais pontos turisticos. Organizei a viagem para ficar 4 dias na cidade, mas no fim 2 ou 3 eram mais que o suficiente.  É legal se programar bem, pois quase nada abre Segunda Feira, assim você não perde o dia. 

Catedral do Cristo Salvador
Os Russos são religiosos, e desse modo há igrejas lindissimas em Moscou, porém não sao igrejas de arquitetira tradicionais como conhecemos, mas de arquitetura ortodoxa. As que mais me impressionaram foram a Catedral Cristo da Anunciação e Catedral do Cristo Salvador, está segunda muito importante para os russos ortodoxos! A Catedral de São Basílio também impressiona bastante, porém mais por fora do que por dentro.                    
          
Uma viagem até Moscou tem de incluir também o Kremlin e a Praça Vermelha.  O Kremlim é um complexo histórico fortificado, localizado no coração de Moscou, e este possui quatro palácios, quatro igrejas e duas torres, e ainda é a residência oficial do presidente Russo.  Dentro os muitos prédios, está um museu com objetos da história Russa, incluindo joias, vestidos, carruagens e etc.,  porém diferente de muitos museus que estive, esse não estava cheio de gente. É possivel pegar um daqueles radios tour, e apertar números em cada área que você estiver. Não lembro se havia em português, escutei o em inglês. 
Kremlin
Não consegui ir ao Mausoleu de Lenin, pois em um dia estava fechado, e no dia seguinte quando tentei de novo havia algum convidado politico na região então quase tudo estava fechado de novo.
De Moscou segui para São Petesburgo em um trem noturno. Mas essa história conto depois.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Da Rússia com Amor (From Russia with Love)



O título desse post não se refere as aventuras de James Bond, mas a minha viagem em Março de 2011 até as terras quase polares da Rússia. 

Escolhi fim de Março, pois esperava temperaturas baixas, porém mais amenas, e não um -10C em São Petersburgo e constante 0 e -1C em Moscou, sem contar a neve diária.
Uma pessoa tem de conhecer as temperaturas baixas de certas regiões para apreciar o calor tropical de outras. Viajar no frio não é tarefa fácil. A mochila pesa mais, as roupas no seu corpo pesam mais, ficar andando no frio o dia inteiro fica bem cansativo. E de modo geral no inverno europeu os dias são bem mais curtos.

Mas ir a Rússia era um sonho. Por muitos anos brasileiros precisavam de visto para ir até aquele país, como ainda precisam a maioria dos outros viajantes, por esse motivo a Rússia não é um lugar cheio de mochileiros ou viajantes solos. Atualmente  brasileiros não se precisam mais aplicar para um visto, o que facilita bastante o planejamento da viagem. Porém, como está não é uma informação muito divulgada e como é um tanto recente, muita gente não sabe disso e meu problema começou logo aí.

Para cortar custos, eu peguei um voo de Londres para Riga na Letônia e voaria de volta saindo de Tallinn na Estônia. Em Riga, pegaria um ônibus noturno até Moscou. A moça que cuida dos passageiros não queria me deixar embarcar, pois ela estava verificando o passaporte de todos que estavam indo viajar, para evitar gasto e tempo perdido com pessoas sem visto, uma vez que chegássemos na fronteiro. Bom, eu não tinha um visto, e ela não queria me deixar embarcar. E como ela falava pouco inglês, disse que eu não poderia. Eu tentei explicar que não precisava, e até os passageiros sem envolveram na conversa com um ar de “você, brasileira, não precisa de visto? Duvideodó!” Tentei explicar o acordo do Brasil, enfim a moça chamou uma outra pessoa e eu expliquei de novo e ela me deixou subir mas avisou “você vai ter problemas na fronteira”.

O ônibus ia por uma estrada escura e deserta. Lá fora só neve. Logo que chegamos na fronteira da Letônia com a Rússia, sem maiores problemas, depois imigração Russa, desce todo mundo do ônibus, mala e passaporte em mãos, a mocinha esquece de me entregar um documento que tenho que preencher, sou a última da fila, assim que chego no oficial, ela olha me passaporte, olha o sistema, olha mais o sistema, e dai finalmente pergunta em inglês “vai para Moscou?” “Sim” eu respondo, passaporte carimbado e pronto.

Nessa hora fica a dica, ninguém tem muita informação e até aquele momento nem os oficiais tinham muita informação, mas vá sem medo.